Compilação – O último suspiro do CD…

Hoje, Domingo, e eu aqui num hotel no RJ para um começo de semana intenso de gravações do Caldeirão

O ano vai acabando e é sempre assim. Antigamente tinha a praia, uma semana inteira de areia nos pés, nos braços, nos CDs, no case, nos CDJs, no mixer e em tudo mais que vc possa imaginar.

Era bem divertido. Agora não tem mais praia, mas o povo corre prá conseguir entregar tudo para ir ao ar em Dezembro e em Janeiro, onde tiramos férias do programa.

Bom, isso não importa. O que importa é o seguinte. Eu recebo muitos CDs de gravadoras. Geralmente 78% é lançamento que não é assim tããããão legal… mas hoje me surpreendi com uma coisa.

Recebi uns 35 CDs e mais uns 8 DVDs, tudo da Som Livre. Sim, tinha lançamento. Não, não curti nenhum, a não ser o do Leo Maia, que ouvi outro dia e achei interessante.

Os DVDs são bacanas. Tem um Anarquistas Graças a Deus, um do Sitio do Pica Pau Amarelo mega-antigo, e mais uns sertanejos que terão uma utilização nobre. Dar prá quem gosta.

Os CDs é que são o caso…. dos 35, 24 são “Best of”, “Perfil”, “Classics” e afins. Ou seja, poucos lançamentos, muita compilação.

Desde Richard Clayderman, passando por Johnny Rivers, Cartola, Falamansa, Cidade Negra, e, pasmem, até os Inimigos da HP tem um disco chamado “Essencial” (whatever that means…neste caso).

O que percebi ?

Bom, primeiro é bom lembrar a todos que a gravadora não paga os mesmos valores de royalties para os artistas quando lançam compilações. Geralmente é metade do valor. Ponto prá gravadora. Tá em contrato.

Segundo que, prá quem tá comprando MP3 player hoje em dia, isso é uma mega-mão-na-roda. Não tem que ficar baixando dos eMules e afins. Tá tudo lá. Pelo menos o mais conhecido. Sem falar no risco de vírus, o povo não é muito dado a lembrar nome de musica, correto ?

Então, o que acontece ? Compra-se a tal compilação, porque tá tudo lá (tudo que importa), copia-se para o computador e joga-se no MP3 Player.

Um movimento parecido aconteceu quando os discos de vinil foram substituídos pelos CDs, nos idos do antigamente.

O que as gravadoras fizeram ? Relançaram todos os vinis em CD. Sucesso total de vendas.

Quem não comprou um CD de um vinil que gostava que atire a primeira jewel box.

Aliás, SONY e outras grandes gravadoras ficaram ainda mais ricas na época.

Ninguém entendeu quando, antes de lançarem o formato CD, a SONY e todas as outras começaram a comprar os catálogos de todas as gravadoras pequenas.

Aliás, não só não entenderam como acharam que os caras tinham perdido a mão do negócio.

Ledo engano. Tudo que eles compraram foi relançado em CD logo que o formato surgiu.

Tacadinha de mestre esta, hein ?

Acredito, depois disso tudo, que as compilações são o último suspiro do formato CD.

Tem gente que ainda gosta de comprar um “meio de transporte” entre a gravadora e o MP3 player. É o caso destas pessoas comprarem as compilações e terem em casa pelo menos uma parte do trabalho de alguns artistas que eles gostam. Pelo menos a parte mais famosa.

Tudo de bom,

Billy.

PS_Não tomem o consumidor médio pensando em como os “mais conectados” usam a internet. O público médio ainda não descobriu os torrents, ou tem medo deles… e prá eles é beeeeem mais fácil comprar um CD barato e copiar do que ficar horas naquela conexão tosca baixando música do Limewire…

PS2 – Na maioria das compilações tem, dentro do jewel box, um código prá vc baixar pro seu celular uma música do CD. É o começo da catequização das grandes massas para a migração final para o meio 100% digital. Bacana isso.

8 Replies to “Compilação – O último suspiro do CD…”

  1. Engraçado, do alto de minha opinião chutada eu acho que o mp3 justamente mata o The Bost Of, já que 1) você vai ali e baixa mesmo só o que quer 2) o que é the bost pra mim não necessariamente é the bost para você.

    Se bem que muito artista antigo eu dou preferência justamente a baixar o Essential nos torrents da vida…

    Admin says:
    Então, Cris.
    O que o povo que lança disco assim “acha” que é sucesso é, basicamente, o que tocou em FM ou em trilha sonora de novelas… acho eu

  2. Lembro muito de uma época em que as gravadoras começaram a lançar dois LPs em um CD. De bate e pronto, lembro que tenho, dessa forma, os dois primeiros do Made in Brazil e do Lulu Santos.

    Essas coletâneas são uma boa saída para continuar a vender a mídia física. Como não acho que o CD vá morrer completamente (há vinis por aí que comprovam isso), esse é um ótimo caminho.

    Admin says
    Também acredito que o CD não vá sumir completamente, mas que será um pequeno nicho do mercado isso sim será….
    Todo mundo re-comprou o que gostava quando ouvia vinil em CD. Eu mesmo comprei todos os Joy Division, todos os New Order, Front, Depeche e assim por diante…
    “Com o advento” do P2P baixou um pouco, mas ainda compro… saudades do Audiogalaxy…

  3. Concordo um pouco com o Cris Dias, o The Best of… nem sempre se encaixa com a opinião de pessoas mais envolvidas, mas é o que tocou nas novelas, filmes e rádios. É o mais popular e estas coletâneas são feitas para este público.

    E pra mim a questão do CD é o fim por completo, como é o VHS em casa. Pois o vinil tem o charme da manipulação, o formato e tudo mais. O CD é compacto demais e acredito que não irão gerar toda está nostalgia.

    Sobre o possível posicionamento das gravadoras, finalmente vi uma saída em relação a mudança do formato que acredito ter sido inteligente. Mas isso ainda deixa as gravadoras muito atrás. A mudança precisa ser mais radical.

    Admin says
    Mas quão mais radical ? E prá qual lado eles devem correr ? O que tem que ser feito ? Teoricamente a idéia de gravadora hoje em dia é que esta só atrapalha e cobra caro. Mas tambem tem o lado de disponibilizar ao publico o que este quer (teoricamente, veja bem).

  4. Não compro CD’s há muito tempo, certamente há mais de um ano, mas os últimos foram mesmo coletâneas.
    Acho uma forma interessante de legalizar aquelas músicas piratas que tenho em casa.
    Faço a mesma coisa em relação aos jogos de PC. Depois que eles deixam de ser novidade e o preço cai para patamares razoáveis, eu vou lá e compro para substituir a minha cópia pirata.
    Acho que assim me sinto menos larápio.

  5. Eu ainda compro CD, apesar de ter um acervo gigantesco no pc, que obviamente foi baixado. Mas só compro CD de artista que acompanho, meio que por colecionar. Ou seja, a coisa pode ir por um caminho diferente do que pensamos. O barato não vai ser comprar um CD pela música, mas pelo prazer de colecionar ou de ter acesso a um material que não foi parar na rede (como um encarte recheado, por exemplo). Tenho tudo do Lenine, do Moska, da Alanis, do Jorge Drexler e do Kevin Johansen. Todos os demais vou de mininova e blogs de coletânea, mesmo.

    Marcelo Salgado
    http://www.cumecamao.com.br

  6. Hoje eu só compro essas coleções para dar pra mamãe mesmo, não tenho mais saco pra comprar CD, como minha mãe ainda não tem saco pra ouvir 400 musicas num cd de mp3, eu cato nas lojas americas da vida esses cd´s com compilações.

  7. Billy, respondendo a sua pergunta. Acho que a mudança radical está em abraçar mesmo o formato .mp3 e encampar a troca de arquivos, talvez após este conceito de música de graça ter sido abraçado outras opções venham a brotar. Como por exemplo, a gravadora não cobrar para fazer download do arquivo direto do seu site, mas solicitar que você faça um cadastro. Isso já é uma informação de onde tal artista tem garantia de público em seus shows ou onde ele precisa ser mais divulgado e como pode ser divulgado.

    São tantas opções que precisam ser avaliadas, mas uma coisa eu acho certa. O modelo de cobrar pela música, brigar contra a inevitável troca de arquivos e pagar pouco ao artista já morreu, só esqueceram de enterrar.

    Admin says
    Então, mas e quem quiser uma qualidade melhor que o MP3 ? Tbem ficará disponivel lá ? E quem nao tem banda larga ? Se ferra ? Acho que com o tempo isso pode ser uma boa, mas vendo os outros comentarios aqui em cima, tem gente que compra CD pq gosta do encarte e de tudo mais que vc nao tem na internet.
    Acho que o CD só nao morre por causa disto tbem…

  8. Billy, concordo muito com a questão de quem não tem banda larga. Só defendo que será uma mudança gradual, em breve o 3G estará popularizado, a troca de dados via celular em conjunto, em “alta velocidade”, e isso tudo irá somando fatores. Quando digo uma mudança radical, quero dizer de modelo de negócios, não imediata, pois o tempo dela deverá ser de acordo com a popularização dos recursos. Curti o papo. Abraços.

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