Europe VR Days 2016 – Dia 01

 

Mais uma vez estou em Amsterdam para o VR Days.

4 dias de papos, palestras, debates, demos, live tutorials e muito mais relacionado ao mundo da Realidade Virtual e da Realidade Aumentada.

Este ano o evento estava muito maior do que no ano passado, o que torna tudo um pouco mais impessoal, mas ao mesmo tempo tem muito mais coisa legal para ver, compartilhar e aprender.

Vamos lá

Dia 01 – 

Quem abriu o evento foi a “Deputy Mayor” de Amsterdam, Kajsa Ollongren, falando sobre o empenho do governo local em fazer com que a cidade seja um pólo mundial de produção em VR e AR.
E isso já foi notado em um dos venues do evento, o Makerversity, onde várias empresas ligadas à VR e AR estão instaladas, e é um prédio governamental.
Bacana isso, ter o governo também impulsionando um mercado ainda incipiente, mas com potencial de trazer grana e profissionais qualificados para a cidade.

Seguindo o evento, mais uma vez rolou uma palestra do Dr. Skip Rizzo, o psicólogo que trabalha com VR desde 1996, tratando soldados com Stress Pós Traumático.

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Desta vez o Dr. Rizzo veio com a explicação sobre o desenvolvimento de “Virtual Humans“, que ajudam no tratamento de fobias, vícios e traumas.
Basicamente são animações que aprendem com o tempo, com o uso, ou podem também ser uma “máscara” para um humano real.

A idéia aqui é ajudar com VR a interação médico/paciente. Seja um médico treinando para atender um paciente, seja um paciente que necessite de algum auxílio e tem medo ou vergonha de procurar um médico real.

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Um link interessante sobre o assunto é o Simcoach, que é um centro de atendimento psicólógico para o tratamento de soldados com stress pós traumático. Vale a visita.

Outro site legal é o Sim Sensei, que usa Kinect, microfone e softwares de reconhecimento facial para reconhecer traços de depressão ou qualquer outro problema que o paciente possa ter.

Bem legal. Veja o vídeo aqui:

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Depois do Dr. Rizzo foi a vez de Gabo Arora, do departamento de Realidade Virtual das Nações Unidas.

Sim, existe um depto. de VR na ONU.

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E eles fazem um trabalho bem legal de awareness para as causas humanitárias importantes para a Organização.

No site deles tem o link para download do aplicativo de VR, vale baixar e assistir. Não precisa de nada muito fancy, qquer celular resolve.

O que ele disse tem muito a ver com o que a gente presencia diariamente nas redes sociais.

Basicamente:

“Porquê os vídeos de coelhinho fofinho ou de pessoa caindo de cara na lama dão mais Likes e Views do que algo sério e importante como uma campanha para arrecadar alimentos para refugiados?”

Ele não tem a explicação, mas tem teorias.

Uma delas diz respeito à nossa “imunização” ou “insensibilização” contra qualquer coisa que seja relacionada à violência, dor ou sofrimento.

Num primeiro momento nos chocamos, logo depois não queremos mais saber.

E como mudar isso?

Não mostrando a dor, a violência ou o sofrimento como forma de chocar as pessoas, mas sim gerando empatia.

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Quer um exemplo? Humans of New York

A ONU tem um projeto parecido em países em guerra ou com sérios problemas humanitários. Em Realidade Virtual.

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Depois entrou Jarrad Vladich, da The Mill de Londres.

A The Mill fez um projeto/documentário/experiência em VR muito legal, baseado em 15 minutos de áudio captado de presos que viviam em confinamento.

Deste áudio eles montaram uma cela de solitária. Com tudo que os presos diziam ter sentido.

Coloque os fones e dê play aí embaixo.

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Steye Hallema, diretor de criação de conteúdo da Jaunt VR nos contou das dificuldades de se ter um storytelling interessante em VR.

Entre outras coisas, o posicionamento do espectador é fundamental para isso.

Em linhas gerais:

Se é em terceira pessoa o material tem que ser interessante e envolvente o suficiente para gerar e manter o interesse.

Se é em segunda pessoa o storytelling tem que gerar reflexão e um mínimo de envolvimento dos conceitos que a pessoa compartilha, ou deixar bem claro sobre o que será mostrado lá. É muito mais envolvente do que um filme, por exemplo.

E se é em primeira pessoa, aí sim todo o sistema de crenças e conceitos tem que ser claramente demonstrado para que a pessoa não se sinta ultrajada, incomodada ou tenha repulsa sobre o que vai assistir.

Um exemplo é o video do “Inside Trump’s Head”.

É todo em primeira pessoa, você é o Trump.

Imagine. Ou melhor, assista.

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Toby Coffey, do National Theatre of London vem fazendo experimentos em VR para entender como o teatro pode se beneficiar da tecnologia.

Chegou inclusive a citar o sensacional filme “The Lawnmower Man” (Jobe? Alguém?). Bom, este foi provavelmente um dos primeiros filmes a citar VR para as grandes massas.

Em 1992.

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Aqui mais uma vez todo o conceito de storytelling muda com relação ao teatro “comum”.

Um exemplo de caminho foi o musical Wonder.land que eles desenvolveram junto com Damon Albarn.

A idéia é que a história da Alice (aquela do País das Maravilhas) virou um game.

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Barbara Lippe entrou num painel sobre storytelling junto com os palestrantes até então e disse algo importante.

Que devemos entender a mídia VR, criar especificamente para a mídia, escrever, reescrever e testar incessantemente até acharmos um novo formato de storytelling que seja pertinente e faça uso inteligente e completo do VR ou do AR.

Concordo plenamente com ela, criar experiências ao invés de somente um simples storytelling.

Adaptar tudo para que o VR seja efetiva e plenamente usado.

Para situar, Barbara Lippe é da EntreZ VR, uma produtora especializada em VR, ou melhor, e Drama para VR.

Este então é o primeiro Drama em VR.

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A Nvidia também entrou de cabeça no VR.

Seja com um computador que vc leva nas costas, o XMG Walker, que elimina aquela sensação de aprisionamento pelos cabos conectados em um desktop (ainda necessários por questão de latência de imagens/sons caso fossem via Bluetooth ou algo wireless).

xmgwalker

Seja com os SDKs para Game e Vídeo, o VRWorks SDK e o GameWorks SDK

Alguns dados interessantes que Dominik Escofier, palestrante da Nvidia, nos contou:

Playstation VR tem mais usuários ativos do que o Oculus e o HTC Vive juntos.

Google Cardboard é uma furada? Ele acredita que não. O aplicativo já foi baixado mais de 4 milhões de vezes na App Store e na Google Play.

Samsung Milk VR? Atualmente conta com 1 milhão de users.

O mercado cresce exponencialmente.

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Andrew Curtis da Force Field falou sobre UI (User Interface) em VR e disse que a gente só vai lembrar da UI se ela for ruim. Se for boa a coisa flui normalmente.

🙂

forcefield

Aliás, a Force Field vem com um jogo para multiplayer que é bem legal. Um Command & Conquer em VR com algumas modificações.

O Landfall.

Joguei, perdi feio, mas me diverti.

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Tim Moerlard da Virtual Dutchmen também falou sobre como produzir para VR.

Basicamente é isso aqui:

dutchmen

E faz todo o sentido. Não adianta a galera palpitar se não sabe como o produto funcionará em VR.

Lógico que palpites acontecerão de qualquer forma, mas saber filtrar e tornar o palpite “VR possible” é um trabalho que demanda tempo, experiência e testes.

Muitos testes.

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Rob van Wingerden do Royal BAM Group (uma Odebrecht local, sem os escândalos da Lava Jato) mostrou como a empresa já usa VR para seus projetos, otimizando tempo e custos de produção.

Uma montagem de máquinas dentro de um galpão, a construção de casas populares, uma eclusa gigante e até um túnel submarino usam o VR para o desenvolvimento de projeto.

Muito interessante.

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Você já viu esta cena, com certeza:

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Além desta, mais um monte de cenas com stop-motion para Star Wars (e mais um monte de outros filmes) foi criada por este cara aqui, Phil Tippett:

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Que agora faz VR na sua produtora e contou casos engraçadíssimos de como ele e sua equipe criaram um projeto em VR para um grupo chinês de construção.

tippet

Deu algumas (muitas) dicas, falou sobre todo o processo de aprendizado e entendimento da cultura e do mercado chinês, e depois mostrou alguns videos do Showreel da sua empresa.

Aqui um trecho de League of Gods, filme do Jet Li.

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Teve também Edward Miller falando sobre os desafios de se criar o próximo Pokemon Go.

Não só para tornar a brincadeira mais interativa, mas também como o uso de microposicionamento pode mudar toda a brincadeira.

Baseado nas fotos que as pessoas tiram no mundo todo, atualmente já existe a tecnologia capaz de recriar os espaços todos em 3D, fazendo com que possamos criar modelos tridimensionais para qualquer lugar do mundo.

Isso chama-se “City Scale Augmented Reality”.

pokemon

Imagine para um jogo que usa geolocalização!

Vamos acompanhar…

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Quase terminando, ainda tivemos a atriz pornô Ela Darling, que é co-fundadora da CAM4VR (NSFW).

eladarling

Entre outras coisas, ela disse que ao começar a transmitir em VR, percebeu que os espectadores não eram mais agressivos ou até estúpidos como quando ela transmitia em 2D.

O conceito por trás disso é que o espectador se sente efetivamente no quarto dela, então existe uma outra forma de relacionamento, algo quase pessoal.

Além disso, o Porn em VR tem também um uso no tratamento de inibições, tabus e afins. As pessoas não procuram só para a satisfação imediata, mas também tem nas atrizes que fazem Live Cam uma confidente e uma amiga.

Interessante.

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Resumo de tudo isso?

adapt

VR é uma mídia que é diferente de um filme, de um game, de uma interação.

As possibilidades são enormes e a gente ainda nem começou a raspar a superfície do que podemos fazer.

Vale testar, vale inventar, vale qualquer coisa.

Só não vale copiar o que já foi feito e tentar adaptar pra mídia.

🙂

Tudo de bom,

 

Billy.

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