O Poder da Música – A Fórmula do Sucesso

Ontem recebi do @berlitz o seguinte e-mail:

Por que certas canções, como jingles, ficam ‘grudadas’ em nossas mentes?

É fato que tanto as circunstâncias de natureza emocional quanto as que acontecem
em um ambiente carregado de emoção são mais bem lembradas do que aquelas que
são adquiridas em um contexto emocionalmente irrelevante.Algumas músicas, em especial as canções pop, os jingles e as trilhas sonoras,

além de terem um timbre particular e facilmente reconhecível,
bem como uma estrutura musical simples, curta e fácil de lembrar –
geralmente apoiada em refrão –
têm, ainda, uma linha melódica que não só acompanha,
mas muitas vezes caracteriza a tensão emocional do momento vivido,
fazendo com que a música passe a ser parte integral e indissolúvel da lembrança.Isso fica claro quando assistimos a um filme sem trilha sonora, 

pois a ausência de sons compromete a absorção emocional do conteúdo transmitido. 
De fato, estudos demonstraram que algumas canções populares são capazes
de ativar partes do cérebro relacionadas às sensações de recompensa e satisfação,
como a área tegmental ventral e o núcleo accumbens.
Essas regiões são responsáveis pela liberação da dopamina,
o neurotransmissor que media essas sensações.Martín Cammarota
Centro de Memória, Instituto de Pesquisas Biomédicas,
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

 Entenderam ?

Basicamente é o que todo mundo sabe que acontece, só que com um pequeno embasamento científico por trás.

Agora vamos pensar.

Ou melhor, vamos juntar os fatos deste post AQUI com estas infos aqui de cima…

Nós lembramos de uma letra de uma canção dos Beatles que ouvíamos quando éramos criança, mas não lembramos o que almoçamos ontem, certo ?

A cor da cueca/calcinha que vc está usando hoje, sem olhar. Lembrou ???

E assim vamos…

Agora, qual a associação que a música faz na nossa cabeça no monento em que a escutamos ?

É necessário ter algum fator emocional externo prá que lembremos de alguma música por tanto tempo ?

Será que existe alguma estatística provando o que está aí no email ? Tipo “músicas feitas em Dm-Am-C-G vendem mais (ou são mais sucesso) do que músicas em Bb7-Gm-Asus etc, etc, etc ?

Vamos pensar num exemplo. Los Hermanos[bb] – Anna Julia.

Fora toda a promoção da gravadora em cima da música, ela foi sucesso porque é boa. Ponto final.

A letra é legal, o ritmo é bacana, e os acordes são “fáceis”.

Cheguei no ponto. Fácil é a palavra.

Porquê é “fácil” ? Porque são acordes que ouvimos nessa mesma sequencia há muito tempo ? Ou a facilidade com que eles se encaixam na sequencia faz com que o cérebro os torne mais “palatáveis” do que algo mais cabeludo ???

Boa pergunta. Segundo o email estas músicas ativam partes do cérebro relacionadas às sensações de recompensa e satisfaçao…

Pode ser isso então. O cérebro entende aquilo como algo já conhecido, então volta pra sua zona de conforto (satisfação de conhecer e recompensa de não ter que pensar. hehehe). Como ele já entendeu, não tem que criar mais conexões para entender novamente…

Anna Júlia se parece com várias músicas anos 50/60, por isso que aceitamos melhor uma música assim do que um Miles Davis[bb], por exemplo… até hoje.

Não tô aqui defendendo que todo mundo deve fazer música copiada de algo anterior, de jeito nenhum. Tô só atestando que isso é fato.

Aí surge a conclusão “óbvia”. Se eu fizer uma música com cara de antiga, ou que use todos os elementos “do antigamente” farei sucesso e dominarei o mundo, certo ?

Errado.

Do mesmo jeito, acredito, que nosso cérebro vai para uma zona de conforto quando entende a música, acho que uma música realmente boa e de sucesso deve ter algum elemento que a diferencie do resto. Senão o cerebro, em sua zona de conforto, pensa “ah, mas isso eu já ouvi, não tenho mais interesse nisso não…”

Então, a Fórmula do Sucesso caiu por terra…

O que temos que pensar ao se tentar criar um hit é justamente pegar algo já concebido, formatado e pronto, porém adicionar elementos inovadores, diferentes, interessantes. Seja uma boa letra, uma sonoridade diferente, algum instrumento ou ritmo diferenciado, sei lá.

Se fosse tão fácil assim, não tinha tanta gente tentando uma aceitação pública com sua música. Era[bb] só pegar uma fórmula pronta e gravar…

Felizmente não é o caso. Ia ser MUITO chato ouvir 2000 versões similares de Anna Julia ou de rocks dos anos 50/60 toda vez que vc ligasse o rádio ou comprasse uma música.

É o que acontece atualmente com o infame Hip-Hop. Hoje em dia é o seguinte formato:

-Começa a música com uma batida e gente falando

-Entra o rapper

-A cantora que vai mandar o vocal do refrão começa meio que a interagir com o rapper

-A cantora vai pro refrão

-Volta o rapper

-Volta a cantora

-Termina em fade ou em alguma risada….

E assim ficamos. Quantos hip-hops são assim atualmente ? 98% deles tenho certeza, prá contar por baixo…

Isso é muito chato. Viram que deu certo uma época, agora repetem o padrão até ninguém mais aguentar. E, na minha opinião, tá demorando muito prá cansarem deste estilo.

Tudo de bom,

Billy.

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11 Replies to “O Poder da Música – A Fórmula do Sucesso”

  1. Sobre “fácil” e “lembrável” (meu irmão chama de “chiclete pro cérebro”), é isso mesmo. É a velha fórmula que o cérebro reconhece facilmente. Não que sejam acordes mais fáceis de tocar.
    Tanto que na época do canto gregoriano, o “fácil” era cantar em quintas paralelas, coisa que hoje é muito, muito difícil, pra manter a afinação. Depende de com o que você está acostumado.
    Postei no Monalisa de Pijamas ontem sobre a canção vencedora do oscar, que fez exatamente o que vc colocou como sendo o ideal: ela apresenta elementos já conhecidos (a melodia, que é bem indiana) junto com elementos novos (a batida dance e uma levada latina). EU (eeeeeu), particularmente, não gostei muito dela. Mas no fim das contas foi a vencedora, não é?
    Muita música popular hoje já tem forma (estrutura estrófica, harmonia, etc) bastante definida hoje em dia. O Hip Hop (como vc citou), o samba-enredo (pra falar de algo que recém passou) e, a mais conhecida, a canção estrófica, entre outros. A estrutura já está bastante cristalizada, e o sucesso pode até vir.
    Mas esse sucesso só permanece se junto com essa forma conhecida vierem elementos inovadores, com certeza. Porque tudo em excesso cansa. =)

  2. […] puder e tiver tempo de ler AND comentar o post aqui de baixo sobre a Fórmula do Sucesso, eu agradeço… gostaria de […]

  3. MusicMoon
    Veja só. A teoria corrobora a idéia, né ?
    Agora fórmula MESMO de sucesso ninguém tem, né ?
    Mesmo samba-enredo, que parece tudo muito igual, não tem como virar sucesso só porque é igual aos dos outros carnavais…
    Complicado e divertidíssimo isso !
    A busca não acaba !!!

  4. Exatamente. A busca não acaba.
    Porque a “pitada inovadora” que tem que ter junto com a fórmula conhecida pode agradar ou não.
    Divertido mesmo! É arte, afinal! =D

  5. Fórmula do sucesso no ecsistê!
    Mas a fórmula do chiclete existe >_<
    Posso soar preconceituoso, mas acho que existem cérebros preguiçosos que não querem trabalhar e se acomodam com determinado padrão sonoro(a.k.a. música). Padrão que, para uma minoria com cérebros mais ativos, não agrada, ou agrada por um curto período de tempo.
    Acredito também que o fato de o cérebro associar cheiros, cores, e sons a pessoas, lugares, momentos, contribua (e muito) para o sucesso de uma banda/cantor. Vide Roberto Carlos e a época áurea de seus clássicos românticos. Ou então o próprio Raul Seixas e sua Sociedade Alternativa, que é almejada até os nossos dias. Olhando por esse prisma, o sucesso também vêm, como você mesmo falou Billy, de o fato da música ser de fácil associação com uma boa letra, que fale do momento em que está inserida (música universal?).
    Acho super divertido esses assuntos cerebraispsicológicosfundamentalistas. Visto a camisa da achologia forte! kkkkkkk

  6. Rafa,
    Mas aí é que é bacana. Vestir a camisa da achologia hoje em dia conta pontos ! hehehe.
    Mas vc tem razão mesmo, sobre as associações.
    Muito do sucesso da banda depende do momento em que a música é apresentada ao público.
    Tem muita musica excelente feita lá no antigamente que só hoje em dia que é digerida apropriadamente. Na época não fez o menor sucesso…

  7. No caso das música do antigamente, eu lembro que ouvia minha mãe cantando Elis Regina como se não houvesse amanhã! Até chorava cantando, o que pra mim era loucura. Mas hoje quando ouço Como Nossos Pais, ou O Bêbado E A Equilibrista, lembro direto da minha negona e choramos juntos, pois são músicas que hoje, pra mim e pra ela, tem todo um background =)

  8. Elis Regina é uma das mais emocionantes mesmo.
    Ela colocava uma emoção fudida em tudo que cantava.
    Muito boa, realmente leva a galera às lágrimas.
    Mandei uma vez um CD dela pruma gringa. A gringa ouviu, não entendeu uma palavra, mas me disse que ficou extremamente emocionada com a voz dela.
    É a intenção na hora da gravação.
    Tem gente que se preocupa em ser afinado. Quem já o é, consegue carregar emoção na voz, e isso faz uma mega-diferença…

  9. Olha, não sei se estava iludido, ou amo muito Elis e queria vê-la na filha, mas no primeiro (e único) show que fui da Maria Rita eu senti um arrepio do caráleo quando a mulher começou a cantar. Na voz dela, na interpretação, eu vi a mãe dela! Daí o encanto se quebrou. Amém.

  10. Rafa,
    Num tem como copiar a mãe. Alias, apesar do começo da carreira dela em que diziam que era copia, hoje em dia ela quer ficar cada vez mais longe, até prá evitar comparação…
    Imagina só que saco deve ser vc ser Maria Rita. Toda vez que vc faz um puta show sempre vem alguem falar que sua mãe é que cantava prá cacete…
    Dificil viver com uma sombra destas, né ?

  11. Entendo a coitada. Torço pra ela conseguir se encaixar no mundo fonográfico sem ficarem fazendo essa comparação. A mulher é boa! Mas pra mim essa dela se jogar no samba ao estilo da Marisa Monte não colou. Sorry, Maria Rita, bjomeadd =*

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