O volume de som nos comerciais de TV.

Sim, todo mundo reclama…

E com razão!

Quem nunca percebeu uma diferença enorme entre o som dos programas da TV e as propagandas veiculadas ?

Em alguns casos, principalmente em alguns canais a cabo, a diferença é gritante.

Saiu na Folha Ilustrada de hoje, dia 26/5/11, uma matéria dizendo que o Ministério Público vai colocar em prática uma lei que controla justamente isto, a proibição do aumento do volume dos comerciais com relação à programação.

Mas o buraco é muito mais fundo que isso. Não se trata só de volume, o problema é a massa sonora.

Explico:

Os canais de TV gravam seus programas com a maior e melhor qualidade possível. Finalizam tudo da melhor forma possível, arrumam o som para que todo mundo entenda o que está sendo dito no programa. Novelas, documentários, programas de auditório e tudo mais. E para por aí.

As produtoras de som gravam com a maior e melhor qualidade possível. Finalizam tudo da melhor forma possível, arrumam o som para que todo mundo entenda o que está sendo dito na prograganda. E ainda masterizam tudo isso pro som ficar melhor ainda.

A diferença é esta. Masterização.

Um canal de TV não teria tempo hábil para masterizar absolutamente todo programa que vai ao ar. Demora muito mais tempo prá render um áudio masterizado, e se fosse teoricamente usar algum plugin no “ao vivo” daria atraso do áudio com relação ao video, devido ao processamento. Alguém já reparou alguma propaganda com o lip sync (a relação entre o que a boca fala (visual) com o som que sai (áudio)) atrasado ? Sim, masterização feita e não corrigida no video final…

Para vocês terem uma idéia, vamos pegar o caso do Podbility, o podcast da Bullet, que eu produzo aqui no Mellancia.

Vou até a Bullet, subo na sala de reuniões, gravo em média 6 pessoas falando ao mesmo tempo com dois microfones omnidirecionais.

Cada participante tem um volume de voz, uma dinâmica, um lugar na mesa que determina a qualidade com que a voz é captada.

Os mics são estes, a sala de reunião é esta.

Para entender como isso é feito, clique AQUI

Agora, o que vem depois é determinante para a qualidade do áudio.

Eu pré-masterizo e masterizo o audio todo.

O que faz uma masterização ?

Grosso modo ela “arruma” o que vc tem no original. Puxa frequências que não estão no original (ou estão escondidas), “achata” o som sem comprimir, dá brilho, e, principalmente, cria uma massa sonora maior. Se você, num mesmo espaço do original, tem mais frequências aparecendo, mais brilho, e um plugin que segura tudo isso sem estourar o volume, obviamente a massa sonora aumentou. É como uma panela de pressão. Sem estourar ela aumenta o volume do ar quente que está preso lá dentro…

O resultado ? Mesmo sem aumentar o volume, o som aumenta.

 

Veja a representação gráfica das duas ondas destes áudios.

Sem masterização:

E com masterização:

Esta é a diferença entre um vinil antigo e um CD por exemplo.

A masterização.

Antigamente até tinham algumas coisas para pós-produção de um disco, mas a indústria da masterização só cresceu mesmo com o digital, com o CD. Era agora possível melhorar o som no mesmo espaço de bits, coisa que se fosse feita num vinil dependeria da gramatura do vinil, da profundidade dos sulcos e tudo mais, que encareceria muito o produto final. Não adiantava vc masterizar tudo e prensar um vinil de qualidade duvidosa. Todo trabalho se perdia…

E aí está a grande diferença entre o áudio dos canais com seus programas e o áudio das propagandas.

A tal masterização.

Tenho certeza que não existe nenhum “cabra” que fica sentado lá na emissora aumentando e abaixando o volume da transmissão quando entra ou sai o comercial.

Aliás, em emissoras como a Globo, existe um departamento responsável em analisar previamente o que vai ao ar. Nada entra sem a aprovação deste departamento. Uma das coisas que eles analisam é se o volume do áudio não passa o Zero dB, limite para que o áudio não distorça no ar. Se estiver mais alto que isso, não aprovam. Simples assim.

O que fazer prá melhorar ? Teoricamente diminuir o volume máximo do áudio de Zero dB para -6 dB. Pode ser uma alternativa. Pelo menos regula-se pelo áudio mais baixo, não pelo áudio mais alto.

Mas o problema do Ministério Público é ter uma área técnica que saiba sobre o assunto e que dê a real solução do problema.

Subir e descer o fader de volume na hora da propaganda não vai adiantar nada, nem por decreto.

Tudo de bom,

Billy.

PS_Esta matéria acabou virando matéria no Propaganda e Marketing, com ajuda dos sensacionais Ronconi e Manoel Tavares da TV Globo, parceiros de áudio. Clique AQUI e leia.

PS2_Temos novidades sobre o assunto. O lance todo de Loudness já está funcionando desde o dia 31 de Julho de 2013, pelo menos em algumas emissoras.A Globo por exemplo.

E também gerou mais trabalho para as produtoras de som, coisa que a APROSOM mandou um comunicado. Basicamente criando dois padrões de nomenclatura e entrega. Audio On Line (onde entra a aplicação do Loudness) e Audio Off Line (sem Loudness). E também colocando obviamente todos os parâmetros necessários para a entrega do som conforme a nova norma.

E também agora as emissoras passam a contar com um técnico que monitora o Loudness. Por ser algo subjetivo, não basta só entregar todos os audios com um padrão. Tem que ter gente ouvindo e monitorando o tempo todo.

Dá trabalho, mas o resultado final é bom. Pra quem produz e pra quem ouve.

Mais infos nesse link AQUI e nesse pdf AQUI

11 Replies to “O volume de som nos comerciais de TV.”

  1. Billy,

    E sobre as televisões que dizem manter o volume de áudio constante, inclusive em troca de canais (que sabemos que também existem diferenças)?
    Elas seriam uma solução paliativa a isso? Rola um adendo ou até mesmo outro post explicando como elas funcionam?

  2. Quando os comerciais começam, eu coloco a tv no mudo. Só isso resolve.

  3. Acho que o exemplo mais “gritante” (desculpe o trocadilho) é o canal a cabo FX. Quem já assistiu deve saber do que eu estou falando.

    Quando entra o comercial a diferença de volume é muito grande, é até ridículo, não ter alguém da área técnica pra dar uma amenizada nessa diferença.

  4. Será que o mercado publicitário tá “querendo matar cachorro a grito” ehehe (trocadilho infame). Eu sei lá, mas acho que não tem como padronizar isso ae, cada emissora tem seus equipamentos e a gente sabe muito bem que cada aparelho tem suas diferenças. Vai colcoar uma equipe que regule o som padronizado em cada emissora. E ae fecha a ilha de transmissão e edição e ninguém meche mais. Talvez isso resolveria ehehe. Mesmo em rádio, cansei de chegar pra trabalhar e os botões completamentes desregulados. Não tem como padronizar. Só se o técnico que trabalhava na rádio na época assumisse isso. SOLUÇÃO: Acreditem, meteu em cima da mesa uma tampa de acrílico e deixou só os faders de fora.

  5. No FX é absurdo, a diferença é gritante, o programa fica impossível de ouvir quando abaixamos o som na hora do intervalo e quando começa a vinheta já tem que ir abaixando senão vem as propagandas GRITANDO de verdade. Ridículo.

  6. Já tô vendo que vão obrigar a gente a comprar um novo tipo de caixinha pra acoplar na TV com compressor/limiter ou então algum algoritmo pra “normalizar” em tempo real.
    Não vejo solução pra isso não maestro….mesmo baixando tudo pra -6DB, os caras mandariam ver no compressor pra conseguir mais pressão.

  7. A solução é simples: obrigar as emissoras a seguir o padrão universal de 89 decibeis.

  8. Avelar
    A idéia é boa, mas mesmo assim dá muita diferença ainda. Se vc ouvir mais baixo, podem subir o som até 89 dB, que é alto demais !!!
    Não tem muita saída não. O lance é acertar o volume de outra forma. Não pelo volume teórico, mas pelo volume percebido…
    Pode ser uma, sei lá.

  9. Excelente artigo do Maestro Billy.

    Quero adicionar que outro fator para a grande diferença de volume entre o programa e o intervalo de publicidade é a faixa dinâmica das gravações.

    Um filme quando não adaptado com uma dublagem e uma remasterização para tocar na televisão, possui uma faixa dinâmica aonde o som mais alto é uma explosão ou cenas semelhantes. Mas como na vida real tambem possui sussuros, e sons baixos. Então os diálogos estarão abaixo do som da explosão, caso contrário, não surtiria o efeito causado por este evento.

    Pois bem, a publicidade não é gravada neste nível médio, é gravada no maior volume que a mídia permite para melhor aproveitamento da digitalização. Resultado. Se a última cena do filme for uma explosão, provavelmente, todo o intervalo está em um volume compativel. Mas se a última cena for um diálogo, ele deverá estar muito mais baixo.

    Ouvi certa vez um show gravado fora do Brasil. Possui dinâmica como é natural de se ouvir em um concerto. A seguir ouvi um dvd gravados aqui e sua faixa dinâmica não existe. Parecia que tinha terminado um filme e começado o comercial…Isso faz parte do conceito de quem produz.

    Só não sei como funcionários do ministério público que não entendem como funcionam estas diferenças, conseguirão “normatizar” os canais de tv.

  10. […] controla mais o volume de seu aparelho de som, seja ele iPod, TV, PC. Para entender mais, vejam este post do Maestro Billy e este vídeo que explica a guerra de volume das produções […]

  11. […] tudo isso com o Loudness, padrão já utilizado em transmissões para evitar fadiga auditiva e não ter comerciais mais […]

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