Rock’n’Roll 2 x Donald Trump 0

É sempre legal acompanhar a corrida presidencial americana.

Não só porque é de lá que sairá o novo “chefe do mundo” como também para analisarmos as campanhas e ver como o bom/mau uso do marketing pode alavancar ou afundar um candidato.

As músicas das campanhas, de uns tempos pra cá, tem uma importância crucial.

Nada como uma boa letra numa boa (e conhecida) melodia para passar um conceito de forma abstrata.

Quem não lembra de “A Change is Gonna Come” do Sam Cooke na primeira campanha do Obama?

O “Yes We Can” ganhou uma força tremenda com a música. Sam Cooke falando de preconceito e de que um dia uma mudança chegaria era a cara do Obama naquele momento.

https://vimeo.com/42382933

Acho que esse foi o momento mais claro de que um jingle nem sempre é tão efetivo quanto uma música já conhecida que mostra toda uma situação que precisa ser resolvida. No caso aqui, teria que ser resolvida desde os anos 60, e Obama estava lá pra isso.

Bela sacada.

Fala direto na emoção, no imaginário, na lembrança, no inconsciente coletivo.

Bom, aí vem o Donald Trump.

Republican presidential candidate Donald Trump speaks to supporters during a rally, Tuesday, June 16, 2015, in Des Moines, Iowa. (AP Photo/Charlie Neibergall)

Prá quem não tá acompanhando, o Donald Trump, mais conhecido como o Justus americano, é um empresário mega rico, excêntrico, com idéias próprias nem sempre condizentes com o que a Humanidade acredita ser o correto, de ultradireita (nos EUA não existe este problema de vc se declarar de ultradireita, existe uma região central no país cheia deles), homofóbico (mais todos os tipos de “fóbicos” que existam), e que resolveu ser candidato a candidato a presidente dos EUA pelo partido Republicano.

Uma das plataformas dele é a extradição de todos os imigrantes ilegais do país.

Fácil, né?

Com o slogan “Make America great again” (Faça a América grande novamente), Trump pega uma boa parcela da população que acha que o país está certo quando invade outros países, que a base da cultura da America é a porrada, e que existe um povo oprimido lá dentro, a pequena parcela de “americanos originais”, e que todos que não são “americanos originais” devem ir embora. Na força.

Note que os “originais” são os WASPs, White, Angle-Saxon, Protestants.

Não são os índios.

Bom, que seja… na cabeça deles é assim que funciona.

Aí o Trump, ou seus marqueteiros, precisa escolher a música que melhor represente todo o zeitgeist da campanha. Uma música que fale direto para o povo, que mostre as intenções dele para com a America.

Achou!

Rockin’ in the Free World” do Neil Young.

Nada feito…

Neil Young pede educadamente para que Trump não use a música e, ainda, libera o uso da mesma para Bernie Sanders, do partido Democrata.

1×0 para o Rock.

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Trump não se faz de rogado e procura uma música que fale diretamente aos corações americanos do público mais atuante com relação ao voto (que não é obrigatório lá), a galera dos seus 30 e poucos anos.

Cai no R.E.M. – It’s the end of the World as we know it (and I feel fine).

Toma mais um toco.

O R.E.M. não libera o uso da música, e ainda divulga um comunicado:

“Apesar de não autorizar ou tolerar o uso da nossa música neste evento político, e pedirmos que esses candidatos cessem e desistam de fazê-lo, lembremo-nos de que há coisas de maior importância em jogo aqui. A mídia e os eleitores americanos devem centrar-se no quadro mais amplo, e não permitir que os políticos usem da arrogância para nos distrair das questões prementes do dia e da campanha presidencial atual.”

Tudo isso aí em cima, fora a zueira no Twitter, chamando o cara de “Orange Clown” e afins.

Rock 2 x Trump 0.

REM

E aí? Qual será a próxima música da campanha do Trump a ser proibida pelo artista?

Acho que New Model Army – 51st States of America é uma boa opção.

(a tradução tá tosca, mas dá pra ter uma idéia da ironia da letra)

Tudo de bom,

Billy.

Este post apareceu primeiro no Blog do Maestro Billy

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