Tidal. Novidade? Será?

Tidal.

Todo mundo falando, pouca gente entendendo.

Vamos aos fatos. Não tô inventando nada, só resumindo o que li e entendi em pelo menos 5 sites, incluindo o próprio Tidal:

Dia 30/03 foi relançada a plataforma musical Tidal, agora nas mãos do Jay-Z e de mais 15 artistas de renome.

Cada artista no seu nicho. Coldplay, Deadmau5, Arcade Fire, Alicia Keys, Nicki Minaj, Rihanna, Calvin Harris, Daft Punk, Jack White, Beyonce, Madonna, Kanye West, Jason Aldean, J.Cole, Usher.

Sim, além do “dono” Jay-Z, os outros 15 são sócios em 3% cada.

Isto exposto, vamos aos fatos.

O conceito por trás do Tidal, segundo eles, é oferecer musica em altíssima qualidade e pagar aos artistas um valor justo pela execução musical.

No caso aqui, o dobro.

De onde vem este valor mais alto a ser distribuído?

De uma assinatura mais cara.

O plano que você ouve os arquivos em FLAC, vídeos em HD e acesso total sai por US$ 19.99.

O dobro do que Spotify, Rdio e Deezer cobram.

OK.

Existe uma frustração explíticta por parte dos artistas com relação aos valores pagos pelos serviços de streaming. Dizem que é pouco, que não compensa. E alguns, caso da Taylor Swift, até retiram suas obras dos serviços em questão.

Mas tem muito mais por trás desta história do que a gente imagina, do que a gente acredita ser uma briguinha entre os “artistas mal remunerados” e os “serviços de streaming vilões do nosso tempo”.

Continuando.

US$19.99 é caro. Mas pagam o dobro pro artista. Excelente, certo?

Sim, mas caso você, assinante, ache muito caro pagar 19.99, tem o serviço por 12.99, que vai pagar exatamente o mesmo valor de royalties que qualquer outro serviço de streaming para os artistas (link das matérias no final).

Mais do mesmo.

Além disso é tudo igual:

Playlists?

Tem, como em todo outro serviço de streaming.

25.000.000 de músicas?

Sim, só que em FLAC, arquivo pesado, bom para audiófilo, mas que naqueles foninhos brancos de celular vai ter exatamente a mesma qualidade sonora que qualquer outro serviço de streaming. Fora que seu plano de dados vai acabar rapidinho caso vc não crie playlists no wifi e deixe em offline.

Materiais exclusivos dos artistas?

Acredito que até certo ponto. Alguns sócios-artistas são donos das suas próprias gravadoras, caso do Jack White e da Madonna, por exemplo.

Mas, como “disse o poeta – O artista vai onde o povo está”. Como os artistas das grandes gravadoras vão manter esta exclusividade com o Tidal?

A música não é deles.

É das gravadoras.

Até as músicas da Taylor Swift não são dela. São da Universal. Foi um movimento maior, contra os serviços, na tentativa de criar um desconforto e tentar mudar esse lance de freemium vs premium.

E, acima de tudo, as gravadoras querem que o retorno do investimento venha. Ou seja. Que a musica seja ouvida, vendida e executada.

Acredito que no máximo uma semana ou alguns dias de exclusividade para os lançamentos.

O que pode acontecer é um ou outro vídeo diferente, um remix exclusivo.

E só.

Opção freemium?

Não, o Tidal não tem.

E é aí que eu acho que o bicho pega mais ainda.

Como você pode testar, gostar, entender, usar algo que vc tem que pagar logo de cara uma bela grana? Não seria legal entender como funciona primeiro? Pegar gosto pela coisa? Entender a funcionalidade? E só depois pagar pelo produto?

Eles dão 1 mês grátis, mas já linkado a uma conta no iTunes ou a um cartão de crédito. Ou seja, acabou o mês, começa o pagamento.

Errado. Muito errado.

O Spotify e todos os outros streamings dão a opção do grátis.

E aí vc ouve grátis, com propaganda e sem poder passar muita musica pra frente.

Tá cansado de propaganda?

Pague a mensalidade. Simples assim.

Acho que é mostrando algo positivo que largamos o ruim. Sim, streaming gratuito com propaganda e sem opção de passar a música pra frente é ruim. Mas é uma forma do usuário se familiarizar com o aplicativo, entender, ouvir, usar.

E, finalizando, a gente tá lá nos streamings também porque nossos amigos estão lá.

Música todo mundo tem.

Acho que a rede social formada é muito mais importante.

Pegar recomendações de amigos, saber o que eles ouvem, seguir playlists diferentes.

Será que a Madonna vai ser minha amiga no Tidal?

Ela vai interagir comigo?

tidalpalco

Legal você colocar um monte de artista relevante em cima de um palco.

Legal mesmo, parece até o Grammy.

Mas eu quero ver no dia a dia. Será que a conta fecha?

Dizer que querem “preservar a importância da música nas nossas vidas” como disse a Alicia Keys no seu discurso me soa um pouco pretensioso demais.

E ainda citar Nietzsche em “Sem música a vida seria um erro”?

Isso todo mundo já sabe.

Todo mundo consome música, de um jeito ou de outro.

A curadoria musical já saiu das mãos das grandes gravadoras e de alguns poucos para as mãos do público já faz um tempinho.

Sim, legal ter a opção de música em altíssima qualidade, lógico.

Mas isso qualquer um dos outros serviços já existentes pode também oferecer.

Não é diferencial nenhum.

Mais uma vez repito aqui. “O artista vai onde o povo está”.

Se o povo não estiver no Tidal, o que acontecerá com os artistas? Sempre me lembro do Prince em momentos com este.

-Links para as matérias e sites

http://tidal.com/us

http://www.engadget.com/2015/03/30/jay-z-tidal-artist-owned-music-streaming/

http://techcrunch.com/2015/03/30/tidal-confirms-partnership-with-sprint-owner-softbank-for-its-artist-co-owned-music-service/

http://www.theverge.com/2015/3/30/8314833/tidal-jay-z-streaming-music

http://www.billboard.com/articles/news/6509498/jay-z-tidal-launch-artist-stakeholders?

Tudo de bom,

Billy

One Reply to “Tidal. Novidade? Será?”

  1. Parabéns Billy! Excelente texto! Explicativo, relevante e “politicamente correto”, por não pender para lado algum. Me chamo Anderson e “Gasparzinho” é meu nome artístico. Sou artista, músico, compositor e produtor musical aqui no RS. Sou um grande admirador dos teus textos e das suas playlist’s. Abração!

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